domingo, 7 de janeiro de 2018

SPEAK METAL OR DIE, a força do Metal carioca.

SPEAK METAL OR DIE
Dia: 06/01/2017
Local: Planet Music – Cascadura/RJ

Resenha e fotos por Luis Carlos



Em tempos onde poucos produtores abrem espaço para bandas da cidade ao produzir seus shows ou as bandas de abertura só tocarem porque pagam ou são amigas de produtores, ou pior ainda, de boa parte do público daqui que parece não se importar com o que temos, uma turma se esforça para fazer com que as coisas aconteçam e manter a chama do Metal carioca ainda viva, e sendo eles integrantes de algumas bandas, muito boas diga-se de passagem, o que eles fazem? 
Eles se unem e fazem um festival. Speak Metal or Die !!!
 Liderados por Ronnie, guitarrista da banda Forkill, algumas das melhores bandas cariocas se reuniram para um evento para tocar na Planet Music, casa de shows situada em Cascadura, zona norte do Rio de Janeiro. Confesso que de todo cast, apenas a Blackforce e Underfection eu ainda não conhecia e do qual eu me surpreendi com a Underfection, banda do também vocalista do Forkill, Matt Silva, aliás, um jovem e promissor músico carioca que além de fazer bonito no palco com sua banda, na já citada Forkill fez com que o grupo ficasse ainda melhor. Pelos vídeos mais antigos que vi do Underfection, o grupo era um quarteto, mas parece que a falta de um integrante não diminuiu em nada seu Death Metal bem elaborado e potente, aliás, a banda mais pesada do cast que de leve já não tinha nada. Quanto ao Blackforce, segundo informações que tive durante o evento foi a de que o grupo cancelou sua apresentação quase que em cima da hora, mas que pareceu não fazer muita falta diante de um cast onde tínhamos tantas bandas excelentes, profissionais e com a gana de estar ali para tocar, aliás, veteranos músicos com uma bagagem de quem já enfrentou dificuldades maiores para estar em cima de um palco tocando.
Underfection
A seguir, seria a vez do Absolem, porém, metade da banda ainda não tinha chegado no local por conta do trânsito prejudicado por uma chuva infeliz que resolveu cair na hora do início do evento. Então, dcoube ao Monstractor subir aos palcos cariocas pela terceira vez no Rio de Janeiro e mais uma vez fazer uma apresentação maravilhosa, ainda calcada na divulgação do seu disco “Recycling Thrash”, porém, longe de soar repetitiva. O quarteto é excelente, e na guitarra, contavam com um novo integrante, Thomas Abrantes, também baixista do Eros. Som coeso, groove perfeito e um peso anormal vinha desse grupo de Resende. “Monsterman” e “Immortal Blood”, minhas canções preferidas do grupo, encerraram uma apresentação feita por quem sabe o que faz. Depois do Monstractor, foi a apresentação dos “Pais do estilo daquele evento”, aliás, um evento para fã de Metal extremo nenhum colocar defeito, e sendo um dos pioneiros na cena carioca, o Hicsos subiu ao palco e mostrou o porquê conseguem ser melhores no palco do que no estúdio. Não que no estúdio eles não sejam bons, mas é que ao vivo o som do Hicso toma outra proporção. Os “veteranos” Marco Anvito (baixo e vocal) e Marcelo Ledd (bateria), acompanhados dos jovens guitarristas Alexandre Carreiro e Celso Rossato, fizeram um set maravilhoso de uma banda que merece nosso respeito. 

Monstractor em mais uma belíssima apresentação no RJ.
Seu Thrash Metal com aquela pegada “hardcore” (“Thrashcore” , alguém lembra desse rotulo ?) Fez com que o público presente curtisse demais uma apresentação de um grupo que usa a sua experiência de palco para mostrar que sabem de cor e estavam ali para mostrar que ser “old school” é mais do que usar um visual anos 80. Além de terem tocado músicas bem conhecidas do seu set como “Eatin`Concrete”, “Horrospital”, “Patria Amada” (essa, praticamente um hit que não pode faltar no set da banda), ainda tocaram “Rise Underground”, uma música nova que estará no próximo trabalho do grupo. A canção é excelente e se o disco vier no clima dessa música, tenho certeza que de que vem mais um grande trabalho vindo por aí. Aliás, esperamos pelo DVD !!!

Depois do show avassalador do Hicsos, nada de descanso, pois estava na hora da apresentação da banda do produtor do evento. O Forkill subiu ao palco e me surpreendeu, e não que eu esperasse outra coisa, mas é que ainda não tinha visto o grupo se apresentar com seu novo vocalista. Lembram que no começo da resenha eu falei sobre o Matt Silva? Amigos, o cara conseguiu deixar o grupo ainda mais pesado, porque contrário do vocalista anterior, o vocal de Matt é mais Death Metal do que Thrash, mas sem com isso descaracterizar o som de um grupo que tem a “Bay área” na alma. E mais, também não tinha visto o novo batera. Que pegada ! O cara literalmente "senta a mão". Espero que o Forkill siga com essa formação para sempre. Diante de um set excelente, escolher o que foi melhor na apresentação do grupo não é uma tarefa fácil, mas, “Vendetta” e “Let there be Thrash” falaram mais alto na mente de quem assistiu a melhor apresentação deles até hoje. Bem, pelo menos as que eu assisti. Longa vida ao Forkill !

Hicsos, veteranos do Thrash Metal carioca.

Era chegada a vez do Affront, grupo de que vejo muita divulgação pelas redes sociais, mas que ainda não tinha conferido ao vivo. Se eu já tinha gostado do CD, o que eu vi do show deles foi um trio poderoso em cima do palco. Aliás, formado por excelentes músicos e que liderados pelo baixista/vocalista Marcelo Mictian, um cara que sabe o que faz e usa da sua experiência para fazer com que uma banda que tenha pouco tempo de existência pareça ter dez anos de atividade, tamanha sua visão profissional da coisa. Sendo assim, acredito que logo eles alcancem patamares maiores na sua carreira. Como a banda é nova e só tem um disco na carreira, “Angry Voices”, o set foi calcado nas músicas desse trabalho. Canções como a faixa título do CD, Affront, música que dá nome ao grupo e “Conflicts” mereceram destaque em um set perfeito. Que venha uma turnê do Affront !!!
Para encerrar a apresentação, o Absolem, grupo que tocaria antes, mas por aqueles problemas que eu citei no começo dessa resenha, acabaram ficando para encerrar a apresentação do evento. Que banda! Eu sou fã, os caras fazem um som diferenciado para o estilo, sabe aquela coisa tipo “Meshuggah”, Voi Vod, Carcass nos últimos trabalhos. É nessa vibe. Dentro daquilo que eu classificaria como extremo, e até mesmo com alguns elementos meio progressivos no som deles. Estão com um novo guitarrista e o cara manda muito bem. Fecharam o evento com chave de ouro !!!

Forkill, Thrash metal na veia !!!
Após assistir o evento, fica a reflexão: Onde está o público para as bandas cariocas? 
E quando eu digo público, me refiro também as mídias que temos no Rio de janeiro, assim como aqueles que parecem achar que só o que temos fora daqui é o que presta. Não, em momento algum eu quero parecer bairrista ao escrever isso, mas é a minha opinião pessoal de que no Rio de Janeiro hoje, quando falamos de eventos undergrounds, parece mais existir Bandas do que público para elas e quando boa parte desses músicos não se sentem mais público, eles mesmos se boicotam porque no final, todos os shows ficam vazios. Não se trata de cobrança ou medir peso e força, mas fica muito fácil ter uma banda e achar que show nacional é só aquele onde ele toca, e pior, reclamar na internet e falar de cena quando na verdade não faz a própria parte. Assim fica muito fácil. Ronnie, guitarrista do Forkill e produtor do evento, é aquilo que eu chamo de “verdadeiro Headbanger”. Conversando com ele durante o evento, pude ver na sua expressão e nas suas palavras a condição de um cara que faz aquilo porque ama de verdade, e até me vi nele quando ele falava de alguns problemas durante o decorrer da produção, coisa que eu já senti na pele ao fazer meus eventos no passado e que me serviram de motivo para parar de produzir eventos. Não digo que todos devam estar presentes em todas as ocasiões, eu sei que ninguém é capaz disso, mas é melhor a gente colocar a mão na consciência de que o problema não está no Pablo Vittar e na Anitta e muitos menos no sertanejo ou funk, mas naquele que não apoia o próprio estilo que diz gostar quando não vai pra show algum, e, se o discurso não sair da teoria, a prática nunca vai funcionar.

Marcelo Mictian em mais um super show do Affront

Abram o olho, fãs de Heavy Metal Brasileiro, os eventos nacionais estão cada dia mais vazios, e em um momento onde a safra de bandas Brasileiras tem melhorado cada vez mais, e quando falo de Metal Brasileiro, eu me refiro a todos os estilos dentro dele. Já está mais do que na hora de se valorizar, ou, amanhã não teremos mais eventos de metal por aqui.

Ronnie, guitarrista do Forkill e produtor do evento.




2 comentários:

  1. Grande festival, uma pena não ter pude estar presente. Mas bandas representaram muito bem a nossa cena.

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    1. Foi sim, pois organizado pelo Ronnie, guitarrista do Forkill, um sujeito do bem e que ama muito o estilo.

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